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27/05/24
“Carros voadores” são atração na Expo eVTOL 2024
Evento em São Paulo reuniu fabricantes, operadores e empresas de tecnologia, além de players do setor de aviação para debater o futuro da mobilidade aérea urbana.
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Por Avantto
Os “carros voadores” foram a principal atração do Expo eVTOL 2024, feira sobre veículos elétricos de pouso e decolagem verticais, que aconteceu entre os dias 21 e 23 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento reuniu fabricantes, operadores e empresas de tecnologia, além de sediar o 2º Fórum eVTOL, com especialistas e players da aviação debatendo sobre mobilidade aérea urbana (UAM, em inglês) e os desafios para que este novo modal se torne uma realidade no Brasil.
No painel “Possibilidades e novos mercados para a operação com eVTOLs no Brasil”, o CEO da Avantto, Rogério Andrade, falou sobre a transformação da mobilidade urbana com a chegada do novo veículo de transporte.
“As pessoas que vivem nas grandes metrópoles passam cerca de 45 dias por ano paradas no trânsito. Portanto, uma nova alternativa a esse deslocamento diário, que seja aéreo, mais rápido e seguro, sem dúvida, será muito interessante”, afirmou.
O executivo destacou que São Paulo, cidade que possui o maior volume de voos de helicóptero do mundo – cerca de 80 mil por ano, com 410 aeronaves e mais de 200 pontos de pouso – tem uma vantagem competitiva em relação a outras capitais brasileiras e mundiais.
“Os paulistanos já aderiram a essa cultura do voar para o seu deslocamento diário. Além disso, conta com uma malha de voos mais avançada, além dos helipontos, que precisarão ser adaptados, mas já existem”, disse Andrade.
A Avantto é a maior operadora privada de voos de helicóptero do mundo e, por este ‘know how’, foi procurada pela Eve Air Mobility, divisão de eVTOL da Embraer, para o desenvolvimento de todo o ecossistema de UAM em São Paulo.

Custo, rotas e oportunidades
Rogério Andrade apresentou ao público um estudo realizado pela consultoria KPMG sobre a oportunidade de crescimento do mercado de eVTOLs nas principais cidades do mundo. São Paulo e Rio de Janeiro foram contempladas e demonstraram números superlativos.
De acordo com o levantamento, com o início da operação na capital paulista começando em 2027, o novo modal atenderia 850 mil pessoas por ano, com apenas 48 aeronaves. Caso as premissas de escalabilidade sejam atendidas, esse número poderá chegar a 60 milhões de passageiros e oito mil eVTOLs operacionais em 2040. O Rio teria uma performance menos exuberante, mas igualmente surpreendente: chegaria a 18 milhões de passageiros/ano, com 2,3 mil veículos.
Para o executivo, as rotas iniciais deverão ser aquelas que ligam o centro financeiro das cidades com os aeroportos do entorno. “Viagens de até 30 km de distância, como entre a Avenida Faria Lima, em São Paulo, e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, deverão demorar até 15 minutos para serem completadas”, descreveu.
O custo do bilhete? “A expectativa é de que, quando começar a operar, o preço médio do ticket por passageiro será de US$ 100. À medida que o serviço for evoluindo, o custo dessa viagem poderá chegar a US$ 50. Em comparação, o mesmo trecho feito de helicóptero custa, hoje, US$ 300”, afirmou Andrade.



Feira Expo Evtol 2024 apresentou novidades do setor ao público em São Paulo. Créditos: Divulgação.
Desafios
O CEO da Avantto apontou ainda os desafios que precisarão ser superados para que a o novo modal possa começar a operar nas cidades brasileiras. O primeiro deles seria a questão da conectividade: uma infraestrutura tecnológica de transmissão de dados altamente eficiente, que permita que os eVTOLs sejam controlados remotamente, sem a necessidade de um piloto a bordo.
A cultura do compartilhamento de viagens também precisaria amadurecer e ser mais aceita pela sociedade. “Este é um comportamento comum nos voos comerciais, mas na aviação privada ainda é muito incipiente”, disse. Outro ponto fundamental diz respeito ao grid elétrico das cidades, que deverá ser mais robusto para suportar a necessidade de recarga das aeronaves.
“Boa parte do capital levantado para o desenvolvimento da mobilidade aérea elétrica urbana tem se concentrado nos equipamentos. Mas, se observarmos todo o ecossistema, os investimentos em infraestrutura urbana e no controle do espaço aéreo também precisarão ser feitos”, comentou.
Por fim, Rogério Andrade se mostrou confiante com o potencial dos eVTOLs para a transformação da mobilidade nas cidades. “Se tudo evoluir como se espera, será um modal muito acessível e que transportará um número muito maior de passageiros do que na aviação privada, permitindo com que as pessoas valorizem o seu principal bem: o tempo, seja para fazer negócios ou estar com quem mais importa.”